A Evolução dos Hinos nas Universidades
A Visão de Garth Brooks
Quando Garth Brooks gravou sua versão da música "Callin’ Baton Rouge", que se tornou um sucesso no gênero country e anteriormente foi produzida por New Grass Revival e outros, ele tinha uma intenção clara. Brooks afirmou que "New Grass gravou a canção para festivais de bluegrass. Nós gravamos a música para ser tocada em estádios e arenas, com um único objetivo: animar as pessoas!"
Atualmente, a visão de Brooks se concretiza no Estádio Tiger da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), onde, ao soar a introdução contagiante da canção, milhares de torcedores gritam entusiasticamente "LOUISIANA!" na primeira linha da música. Brooks comentou que "Callin’ Baton Rouge" no LSU parece mais um grito de guerra do que uma tradição. Em uma mensagem para a Associated Press, ele expressou que sente arrepios toda vez que ouve a multidão cantar.
A Nova Tradição nos Estádios
"Callin’ Baton Rouge" representa apenas um exemplo de um fenômeno que está se espalhando pelo futebol universitário. Embora as bandas de torcida e as músicas de luta ainda desempenhem seu papel, agora os torcedores de alguns dos programas mais importantes adotaram o hino de estádio como uma forma de tradição moderna. Diferentes gêneros, como rock, country, hip hop e música eletrônica, têm encontrado seu espaço em diferentes locais. Um dos exemplos mais notáveis é a canção "Jump Around", da banda House of Pain, que inspirou os torcedores da Universidade de Wisconsin por mais de três décadas.
Além de Wisconsin, outros exemplos incluem "Mr. Brightside" na Universidade de Michigan, "I Won’t Back Down" na Universidade da Flórida, "Shout" na Universidade de Oregon, "Sandstorm" na Universidade da Carolina do Sul e "Dixieland Delight" na Universidade do Alabama. Em algumas ocasiões, os torcedores acrescentam suas próprias letras coloridas às canções, o que pode resultar na proibição da música caso não tenham cuidado.
A Modernização de Tradições Clássicas
Até mesmo a Universidade de Notre Dame, que ainda possui linhas diagonais genéricas nas áreas de gol e cuja banda toca uma famosa versão da Abertura 1812 de Tchaikovsky, tem introduzido luzes intermitentes e músicas mais contemporâneas nos últimos anos. Joe Favorito, professor da Universidade de Columbia e consultor em marketing esportivo e de entretenimento, observou sobre a necessidade de envolver o público: "No mundo atual, onde você precisa tocar para o presente e descobrir o que está motivando as pessoas e o que realmente as empolga em relação a uma universidade, a um time ou a uma marca, é preciso aproveitar isso ao máximo."
Favorito ressaltou como uma canção dos Killers se transformou em um hino na Universidade de Michigan, observando que "Mr. Brightside" agora é um motivo pelo qual os estudantes vão a Michigan, algo que nem a banda previa.
A Importância do Tempo e da Tradição
Algumas universidades se destacam por suas músicas pré-jogo ou pós-jogo, como "Enter Sandman" na Virginia Tech ou "Country Roads" na Universidade da Virgínia Ocidental. No entanto, o intervalo antes do último quarto mostrou-se um momento ideal para a construção de um clímax musical. Há, ainda, uma vantagem adicional em aguardar esse momento para tocar a canção preferida da torcida.
Jake Stocker, diretor de apresentação de jogos na Universidade de Michigan, mencionou que "como manter os estudantes no jogo por mais tempo? Quando você está vencendo o adversário de forma convincente, as pessoas tendem a ir embora." Ele destacou que, se "Brightside" fosse tocada no primeiro intervalo do terceiro quarto, isso poderia resultar em abandono, levando à decisão de mover a canção para os intervalos do terceiro e quarto quarto, a fim de estabelecer mais isso como uma tradição e manter os torcedores em seus lugares até esse ponto.
A Universidade de Michigan possui sua própria famosa canção de luta e uma banda que desempenha um papel importante no dia do jogo, mas, neste período de constantes intervalos televisivos, há bastante tempo para uma variedade de apresentações.
A Gênese de “Jump Around”
A tradição em Wisconsin começou em 1998, quando o tight end Ryan Sondrup, que estava em um estágio no departamento atlético enquanto se recuperava de uma lesão, foi solicitado a pensar em ideias para operações no dia do jogo. Ele se reuniu com amigos e colegas em um bar esportivo e ouviram músicas no jukebox, incluindo "Jump Around". Sondrup discutiu a ideia com seus superiores, que mostraram mais interesse, em parte por ele ser um membro da equipe de futebol.
Ele se lembrou de dizer: "Na verdade, seria interessante se vocês pudessem tocar algumas dessas músicas durante o jogo, em momentos-chave, para agitar a torcida." Depois de algumas queixas de torcedores mais velhos em relação à música, a canção se tornou um sucesso entre os estudantes e até mesmo entre algumas das equipes visitantes, mostrando resistência ao longo do tempo.
Erik Waisanen, defensor da Universidade de Wisconsin, comentou que "Jump Around" se tornou parte integral da cultura do futebol e dos esportes em Wisconsin, mencionando que "todo mundo conhece ‘Jump Around’". Ele relatou casos em que pessoas, sabendo da sua conexão com a canção, filmaram a festa de casamentos com formandos da Wisconsin em que "Jump Around" foi um dos danças.
Conexões Regionais com as Músicas
Enquanto "Jump Around" não tem uma conexão significativa com o estado de Wisconsin, os torcedores da Flórida têm motivos pessoais para cantar "I Won’t Back Down", já que Tom Petty era natural de Gainesville. Por sua vez, "Callin’ Baton Rouge" faz sentido nos jogos da LSU por razões óbvias.
Garth Brooks, que se formou na Universidade Estadual de Oklahoma, viu "Friends in Low Places" tocar durante os jogos da sua alma mater e mencionou que está gravando uma nova canção que pode ser utilizada especificamente em jogos da Oklahoma State. Em uma mensagem, Brooks revelou: "Nos últimos 20 anos, eu quis muito cantar uma canção que representasse minha alma mater e as pessoas que tornam essa faculdade a melhor. Estou no processo de gravar uma música que adoraria sugerir para eles. Chama-se ‘COWBOY BLOOD’. A letra se encaixa na vida cowboy e a música foi gravada para energizar as pessoas."